E muitos não aprenderam ou esqueceram como lidar com elas.
Participei de um fórum sobre o setor industrial e as políticas econômicas, com a presença de professores e profissionais das áreas de comunicação, estratégia, economia e tecnologia.
Um dos pontos mais debatidos foi a inércia de muitos empresários brasileiros diante do volume crescente de notícias negativas disseminadas pela mídia — e como essa postura tem agravado ainda mais as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo.
A discussão considerou o cenário político global e, em especial, o contexto brasileiro, marcado por desgoverno, corrupção sistêmica, alta carga tributária e uma imprensa que, em boa parte, lucra com a lógica do “quanto pior, melhor”. Isso tem gerado um ambiente tóxico, onde pessoas sem produção real ganham visibilidade e dinheiro com conteúdos sensacionalistas e descontextualizados nas redes sociais, contaminando ainda mais o clima organizacional e desestimulando lideranças.
A grande pergunta levantada no encontro foi: como resistir a esse ambiente hostil e manter a competitividade em meio à enxurrada diária de informações desmotivadoras?
A resposta, em resumo, é clara: investimento em tecnologia e atualização constante em todos os setores da empresa. É preciso acompanhar não apenas os movimentos do governo, mas, principalmente, os sinais do mercado. A estagnação tecnológica, especialmente nos setores comerciais e de relacionamento com o cliente, tem contribuído diretamente para o declínio nas vendas. Sem uma estrutura comercial eficiente e atualizada, não há demanda que sustente a produção, e o parque fabril se transforma rapidamente em uma máquina de custos e prejuízos.
Mesmo que algumas empresas ainda estejam conseguindo manter seus resultados, esse equilíbrio pode ser mais frágil do que se imagina. Os impactos do cenário global são inevitáveis, e adotar uma postura de espera — na esperança de que tudo se resolva por inércia — pode transformar uma situação controlada em um colapso repentino. Em tempos incertos, a pior estratégia é a passividade.
Esse cenário é ainda mais desafiador para pequenas empresas, que, em sua maioria, são mantidas pelo esforço direto de seus proprietários, com capital limitado e pouco acesso a conhecimento técnico mais amplo sobre seus setores de atuação. Essa limitação torna a adaptação mais difícil, mas também mais urgente. A ausência de uma resposta rápida pode custar não só competitividade, mas a própria sobrevivência do negócio.